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Receio de explosão veta BMW a hidrogênio em túneis.
23 de julho de 2008

Mas uma das proibições impostas no teste do BMW Hydrogen 7, um sedã de luxo 760Li modificado para operar também com hidrogênio, além da gasolina, era muito reveladora. A Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, que administra os transportes na região metropolitana, não permite que o carro seja usado nos túneis Holland ou Lincoln, ou na pista inferior da ponte George Washington.
Parece que a BMW atraiu a atenção da organização ao começar a bombear hidrogênio líquido para abastecer sua pequena frota de sedãs de combustível duplo, que fica alojada em Port Jersey, não muito distante das docas em que os BMW chegam aos Estados Unidos vindos da Alemanha. E, em termos históricos, é justo recordar que o último grande produto da engenharia alemã no qual o hidrogênio tinha posição importante deixou impressão explosiva no Estado de Nova Jersey.
Assim, embora a BMW tenha projetado o Hydrogen 7 para que seja tão resistente a explosões quanto um carro comum movido a gasolina, memórias distantes do zepelim Hindenburg ainda causam incompreensão tanto entre os consumidores quanto entre as autoridades, reconheceu um porta-voz da empresa.
Como no caso dos carros movidos a hidrogênio produzidos pela Ford, General Motors, Honda e outras montadoras, demonstrar o potencial do hidrogênio como combustível livre de emissões é o motivo para que o novo modelo da BMW exista. Mas ao contrário dos veículos acionados por células a combustível - que geram eletricidade por meio de uma reação química entre hidrogênio e oxigênio em forma gasosa -, o BMW Hydrogen 7 opera ou com hidrogênio líquido ou com gasolina, em um conhecido motor de combustão interna.
Comentário do Portal H2 com relação à esta matéria "Entretanto, isto tem um preço energético. Um carro a combustão a hidrogênio é de duas a três vezes menos eficiente que um carro elétrico com células a combustível de hidrogênio. A única importância de um projeto de carro a hidrogênio tal como o da BMW é o fato de quem sabe motivar a instalação de postos de hidrogênio, criando-se a infra-estrutura de postos para estes veículos. Ademais, a BMW comprou a patente de uma membrana para células a combustível desenvolvida no Brasil, dando indícios que investirá em veículos com células a combustível."
Quando está sendo acionado pelo hidrogênio, o vapor de água é o principal subproduto do funcionamento do modelo, como se pode verificar ao observar uma poça que se forma sob o pára-choque traseiro quando o carro está em ponto morto. As emissões de dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio são quase zero, e os traços presentes resultam do óleo lubrificante do motor e do calor da combustão.
A BMW construiu sua frota de demonstração de 100 BMW Hydrogen 7 a partir de 2006, e mantém oito deles na região de Nova York e uma dúzia de outros em Los Angeles, onde os motoristas que os testaram incluem celebridades como Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Will Ferrell e Edward Norton. No total, os 100 BMW a hidrogênio já rodaram mais de 1,6 milhão de quilômetros em testes em todo o mundo.
Montadoras como a Ford e a Mazda também estão conduzindo experiências com essa tecnologia que combina motores convencionais e a hidrogênio. A Ford produziu cerca de 30 ônibus V-10 acionados a hidrogênio para clientes comerciais nos Estados Unidos e Canadá, entre os quais grandes aeroportos, o governo municipal de Las Vegas e o SeaWorld Orlando. No Japão, a Mazda está testando nas estradas uma minivan híbrida de hidrogênio Premacy que combina motor rotativo e um motor elétrico com baterias de lítio-íon.
O BMW Hydrogen 7 conta com o mesmo motor de 12 cilindros e seis mil cilindradas do BMW 760Li, alterado para atender às qualidades especiais do hidrogênio. As mudanças incluem sistemas de injeção separados para cada combustível. Mas o verdadeiro fator de avanço tecnológico pode ser encontrado na traseira, que abriga tanques que contêm 8 kg de hidrogênio e 62 l de gasolina.
Dentro do tanque de hidrogênio fica o mais leve elemento da natureza, refrigerado a uma temperatura de 257º C negativos. A essa temperatura, que se aproxima do frio intenso do espaço exterior, o hidrogênio se liquidifica e se reduz a um milésimo de seu volume original, o que permite que o tanque contenha mais combustível. Mas o tanque, isolado a vácuo, oferece uma sensação táctil de temperatura normal, e o isolamento é tão eficiente que um bloco de gelo deixado no interior do compartimento demoraria 13 anos a derreter, de acordo com os engenheiros da BMW, e um tanque cheio de café continuaria quente o bastante para ser bebido cerca de três meses mais tarde.
O tanque de hidrogênio deixa espaço de porta-malas suficiente para apenas duas sacolas de golfe; um tanque de segunda geração que se enquadraria mais eficientemente ao espaço está sendo projetado. A empresa está trabalhando em cooperação com outras montadoras para criar um sistema padronizado de reabastecimento.
Quando o carro fica estacionado por períodos prolongados, a evaporação do hidrogênio gera pressão que precisa ser liberada em segurança. Um sistema de segurança mistura o hidrogênio a ar e passa o fluxo por um conversor catalítico, que libera vapor de água por uma fenda no pára-choque traseiro.
Há uma série de sistemas de segurança duplicados. Caso a pressão interna do tanque cresça demais, uma abertura no topo pode liberar o hidrogênio gasoso imediatamente. E, caso o carro capote e a abertura do topo fique bloqueada, o hidrogênio usaria uma segunda rota de liberação pela parte inferior da carroceria. Um sistema de detecção de hidrogênio faz com que as quatro portas do carro brilhem com uma luz vermelha para alertar que há vazamento de hidrogênio no porta-malas, na área do bocal de abastecimento do tanque ou sob o capô. As janelas se abrem automaticamente caso surja presença de hidrogênio na cabine.
No entanto, afora os grandes painéis publicitários laterais que informam que se trata de um carro de "energia limpa", há pouco no carro, visto de fora, que mostre as loucuras químicas que acontecem em seu interior. O BMW é ligado de maneira convencional. Acionar um botão na coluna do volante permite que o motorista opte por hidrogênio ou gasolina como combustível, mesmo com o carro em movimento.
O Hydrogen 7 ronca mais alto quanto o carro está sendo acionado por hidrogênio e o motor está em ponto morto, e quando o motor é acionado há um ronco surdo, diferente do zumbido feroz do motor V-12 a gasolina que nos acostumamos a ouvir no 760Li. Porque o rendimento do motor é reduzido quanto ele queima hidrogênio, a BMW reduziu a potência do propulsor para quando o carro estiver sendo acionado a gasolina, o que garante que o motorista não sinta diferença de desempenho ao alternar entre combustíveis.
O motor gera apenas 260 cavalos de potência, ante os 438 cavalos da versão exclusivamente a gasolina. A aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos do 760Li se torna um arrastado percurso de 9,7 segundos quando o Hydrogen 7 está em operação. (Eu fui ultrapassado impiedosamente por uma minivan Honda Odyssey.)
A despeito da aceleração tépida e de um ganho de peso de algumas centenas de quilos ante as 2,2 toneladas do 760Li a gasolina, dirigir o carro é uma delícia; o volante é suave e a agilidade é a mesma da versão convencional.
A BMW estima, conservadoramente, um alcance de 200 km com o hidrogênio, e mais 500 km com a gasolina. Mas durante meu teste o carro estava a ponto de superar os 220 km com o hidrogênio antes de eu voltar para a gasolina; de acordo com o computador de bordo, eu poderia ter dirigido 320 km com o hidrogênio em regime de cruzeiro em uma rodovia.
A BMW considera que o motor de combustão interna e duplo combustível oferece uma vantagem sobre as células combustíveis tanto em termos de custo quanto de facilidade na transição da gasolina. Ao contrário de um carro com motor acionado por células combustíveis, o Hydrogen 7 pode depender de postos de gasolina convencionais para o percurso entre os postos de abastecimento de hidrogênio, que por enquanto existem apenas hipoteticamente nos Estados Unidos.
A BMW se recusou a estimar quanto o Hydrogen 7 poderia custar como modelo comercial, mas um porta-voz da empresa, Tom Plucinsky, afirmou que o carro poderia ser vendido com um "ágio administrável" com relação ao 760Li com motor convencional. Já os especialistas externos estimam que o preço de um carro com motor dual envolvendo hidrogênio líquido atingiria os US$ 500 mil ou mais. A BMW lembrou que seu hidrogênio combustível é utilizado usando apenas energia eólica, solar ou de outras fontes renováveis, o que torna toda a operação do Hydrogen 7 praticamente livre de poluentes.
A BMW concorda com o argumento ao estilo de "o ovo ou a galinha" que é proposto pelos defensores dos carros movidos por células a combustível: se as empresas de energia ou o governo não fizerem nada para forçar a criação de uma infra-estrutura de abastecimento com hidrogênio, os carros precisam ser criados primeiro.
"Cerca de um século atrás, certamente não existia um posto de gasolina a cada esquina", diz Dave Buchko, porta-voz da BMW. Na Califórnia, uma iniciativa propõe a construção de 150 a 200 postos de hidrogênio ao longo das grandes rodovias até 2010, a um custo projetado de entre US$ 75 milhões e US$ 200 milhões.
Se a economia do hidrogênio não conseguir decolar, a BMW está desenvolvendo outros modelos alternativos, a fim de garantir suas apostas. A empresa planeja revelar uma versão integralmente elétrica do Mini Cooper no salão do automóvel de Los Angeles, este ano; ainda não foi anunciada a data em que o modelo seria colocado à venda.

fonte: Invertia -Terra - New York Times

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