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Comunidade brasileira utiliza energia do hidrogênio a partir do etanol.
27 de maio de 2008

A pacata comunidade rural Pico do Amor, localizada a 85 quilômetros de Cuiabá, pouco depois do Distrito de Nossa Senhora da Guia, passou a receber energia elétrica pela primeira vez há pouco mais de dois meses. O fato, quase que impensável em pleno século XXI, aconteceu graças a um projeto pioneiro que produz energia através de uma usina de hidrogênio, obtido por um processo químico a partir do etanol (álcool).

O projeto piloto se iniciou em 2005 e hoje beneficia aproximadamente 60 pessoas de 12 famílias que vivem na região. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Eletronorte, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade da Campinas (Unicamp), em São Paulo.

A idéia surgiu com a pretensão de atender comunidades rurais que estão em posição geográfica de difícil acesso para a execução do "Programa Luz pra Todos", do governo federal, que leva energia elétrica para o campo.

Na comunidade Pico do Amor, as famílias, bastante humildes, vivem da agricultura de subsistência e da criação de animais, como galinhas e porcos. Como parte do Projeto, em cada casa, foram colocadas placas de energia solar para abastecer as residências.

A energia gerada pelada usina é utilizada apenas para a iluminação das áreas comuns e da bomba de água que abastece o Centro Comunitário construído pela prefeitura há pouco tempo no local.

O gerente de projetos da Eletronorte, Vlamir Marques, diz que o objetivo agora é aumentar a potência da usina, que hoje é de 5 kW, para que ela possa abastecer uma cooperativa de alimentos para gerar renda à comunidade. "Esse é o lado mais importante: o social", explica.

Outro fator importante do Projeto é a questão ambiental. "Uma célula a combustível de 5 kW produz eletricidade a partir do hidrogênio obtido do etanol, tendo como resíduo final água quente. Não há poluição", afirma o pesquisador da Unicamp, João Agripino da Silva.

Para garantir o funcionamento, a comunidade recebe doação de álcool do Sindicato das Empresas Alcooleiras (Sindal). É através dele que conseguem extrair o hidrogênio. No entanto, outro passo da pesquisa é conseguir obter o elemento de outras substâncias. "O hidrogênio é um dos elementos mais abundantes do universo. Quase tudo na Terra tem", destaca Silva.

Na usina, há um reformador de etanol, um equipamento desenvolvido pelos pesquisadores que extrai o hidrogênio do etanol, além da célula a combustível. Toda a estrutura do projeto de pesquisa está avaliada em mais de R$ 500 mil. Os pesquisadores também trabalham na capacitação dos moradores para que eles mesmos possam dar manutenção periódica e manter a usina funcionando.

O presidente da Associação de Moradores da Comunidade Pico do Amor, Aluízio de Arruda, de 45 anos, é quem administra e faz a manutenção do prédio onde estão instalados os equipamentos. Ele guarda, a sete chaves, as chaves e os controles dos equipamentos. "Agora, a gente tem que cuidar pra que ela continue melhorando a nossa vida", diz.

Além de estudar a expansão do sistema elétrico nesta comunidade, os estudiosos também avaliam a existência de outras comunidades rurais que têm o perfil e condições técnicas para receber o Projeto.

fonte: www.diariodecuiaba.com.br

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