Células a combustível estão mais compactas, com menor peso e preço. 28 de abril de 2008O desenvolvimento das células a combustível de hidrogênio, em todo o mundo, tem levado esta tecnologia a avanços surpreendentes em termos de compactação e peso. Os primeiros protótipos de células a combustível em veículos, por exemplo, ocupavam quase que completamente o espaço útil do veículo, além de serem pesadas. Muitas perguntas e dúvidas surgiram quanto à viabilidade técnica e econômica da célula a combustível. Somente aqueles que acreditavam no potencial da tecnologia, permaneceram investindo.
Hoje, esta tecnologia já está ganhando a confiança até mesmo dos mais pessimistas. Os custos têm caído, em média, 25% ao ano. Seja pelos avanços em nanotecnologia e balanço de planta, seja pelo início da produção em série. Quando se diz produção em série para células a combustível, não pensem em milhares de unidades sendo feitas por dia, mas de algumas dezenas. Tudo tem o seu tempo.
Até pouco tempo atrás, os veículos a hidrogênio tinham uma autonomia pífia, de 100 a 200 km. Muito longe do que o consumidor deseja. Hoje, alguns veículos a hidrogênio já alcançam autonomia acima de 700 km. A eficiência, uma das principais vantagens das células a combustível quando comparadas aos beberrões motores a combustão, era de aproximadamente 40 a 45%. Em números mais fáceis de se compreender, o equivalente a fazer 20 km por litro de gasolina. Hoje, a eficiência está entre 55% e 60%, com alguns carros fazendo 133 km por quilograma de hidrogênio, ou 35 km por litro equivalente de gasolina.
No Brasil, a aplicação de células a combustível no setor automotivo está restrita aos projetos de ônibus a hidrogênio na cidade de São Paulo e no Rio de Janeiro. A maior parte das empresas de células a combustível em atuação no Brasil estão se dedicando à aplicação estacionária, principalmente backup de energia, tais como a Novocell, a Electrocell e a Battistella.
Na cidade de Curitiba, a empresa curitibana Brasil H2 Fuel Cell Energy tem oferecido ao mercado uma ampla linha de células a combustível para aplicações estacionárias e móveis. De acordo com o engenheiro Emilio, diretor da empresa, o avanço tecnológico em peso e compactação é surpreendente. "Em 2006, nós adquirimos um sistema de célula a combustível de 1,2 kW e que pesava aproximadamente 13 kg. Hoje, a Brasil H2 oferece células de mesma potência, porém pesando cinco quilogramas, com a metade do tamanho e por um terço do preço de um sistema de células a combustível de dois anos atrás."
Emilio conta que a Brasil H2 tem fornecido células a combustível de 12 watts até 5 kW de potência, ideais para que empresas desenvolvam produtos e institutos de pesquisa realizem pesquisa com a tecnologia.
"Esse ano lançaremos vários produtos, desde educacionais até para pesquisa e desenvolvimento. No setor educacional, apresentaremos em Junho um protótipo de veículo a hidrogênio com controle remoto, além de uma célula a combustível que funciona com água e açúcar, além de etanol. Para aplicações móveis, já estamos oferecendo células a combustível de 5 kW. Essas células podem ser usadas no desenvolvimento de veículos de pequeno porte, além de empilhadeiras", revela Emilio.
De acordo com o engenheiro, o público brasileiro ainda não perceberá o uso da tecnologia no dia a dia, principalmente circulando nas ruas. Uma grande infra-estrutura de postos de hidrogênio deve ser criada para atender os veículos. "O preço do veículo não é o problema principal, e sim a infra-estrutura", explica Emilio.
"As células a combustível serão encontradas primeiramente em torres de telecomunicações e agências bancárias, fornecendo energia de backup, em empilhadeiras e nas escolas, como kits educacionais de ciências", complementa Emilio. fonte: Portal H2 |