 Mercado de células a combustível no Brasil começa a aquecer. 2 de abril de 2008O crescente mercado mundial de células a combustível de hidrogênio, estimado em 4,5 bilhões de dólares em 2012, está chegando ao Brasil com muitas oportunidades de negócios, criação de empregos e serviços.
A pergunta que muitos consumidores em todo o mundo, inclusive no Brasil, costumam fazer, é a seguinte: "quando teremos carros a hidrogênio circulando pelas cidades?".
A resposta para esta pergunta é mais exata nos EUA e Europa, cujas empresas automobilísticas esperam realizar a produção em massa a partir de 2010. Já para o Brasil, ainda não há previsão para o setor automotivo, exceto que teremos em 2008 e 2009, a introdução de ônibus a hidrogênio nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.
Recentemente, uma inovação da Toyota na produção de hidrogênio a partir do etanol deu esperanças para que isto ocorra antes do esperado, tornando o Brasil um ótimo campo de testes.
Todavia, o que o mercado brasileiro tem a oferecer neste momento, para as células a combustível, é a utilização dessas como backup de energia elétrica em hospitais, servidores de Internet, sistemas de telecomunicações, edifícios inteligentes, dentre outros setores que necessitam de energia de backup com confiabilidade e custo competitivo.
Algumas movimentações já estão ocorrendo no mercado de backup que, tradicionalmente, utiliza geradores a diesel e bancos de baterias. Empresas brasileiras e estrangeiras de células a combustível estão com produtos para atenderem este potencial mercado, o qual terá uma participação muito importante na criação não apenas da infra-estrutura de produção de hidrogênio, distribuição e uso, como na criação de recursos humanos e de uma legislação específica para o uso energético do hidrogênio.
O mercado de células a combustível para backup cresceu 37% em 2007, chegando a 2.500 unidades vendidas em todo o mundo. O número, que parece pouco expressivo, não foi maior porque as empresas focaram os seus investimentos na ampliação da capacidade produtiva, pois a demanda pela tecnologia já é maior que a oferta em alguns países.
Somente nos EUA, o mercado de células a combustível - incluindo outras aplicações, como no setor automotivo - movimentou 357 milhões de dólares em 2007.
Empresas como a Vivo (telecomunicações) e a Villares Metals (siderurgia), já experimentam no Brasil as células a combustível para fornecimento de energia emergencial.
De acordo com Emilio Hoffmann Gomes Neto, diretor da Brasil H2, empresa de Curitiba e que realiza atividades com células a combustível, o mercado de backup de energia elétrica estimado no país é de 405 MW, ou aproximadamente 40.500 células a combustível de 10 kW. Traduzindo em valores monetários, o equivalente a 1 bilhão e 250 milhões de dólares somente nos equipamentos, as células a combustível. Se forem somados os investimentos em infra-estrutura, tais como a produção, armazenamento e distribuição do hidrogênio, serviços de manutenção e assistência técnica, dentre outras atividades, pode-se dobrar o valor da movimentação econômica que as células a combustível para backup de baixa potência proporcionarão.
Atenta a este setor, a empresa paranaense tem realizado cursos práticos com células a combustível para atender profissionais e estudantes que desejam conhecer a tecnologia, desenvolver negócios ou pesquisa e desenvolvimento com esta promissora tecnologia.
"Desde 2004 temos realizado cursos com a célula a combustível, porém, na maioria das vezes, os participantes realizavam o curso por curiosidade ou para iniciarem suas pesquisas de pós-graduação ou iniciação científica", explica William Záccaro, diretor de tecnologia da Brasil H2 e ministrante dos cursos oferecidos pela empresa.
"Agora, os alunos já começam a pensar nas oportunidades do mercado de trabalho que estão surgindo com a vinda de empresas de células a combustível para o Brasil, além das próprias empresas nacionais de células a combustível que estão, neste momento, ampliando a sua linha de produção para atenderem o mercado até o final deste ano", complementa o engenheiro.
O executivo afirma que as empresas de células a combustível precisarão, em breve, de profissionais para trabalharem na manutenção e assistência técnica de células a combustível, na engenharia de vendas e na instalação destas.
Um dos desafios, segundo Emilio Hoffmann, é desmistificar o hidrogênio como sendo um combustível perigoso. "Muitos dos clientes têm medo da célula a combustível por causa do hidrogênio, o seu combustível. Isto é normal, pois se trata de uma tecnologia nova no mercado. Entretanto, com o tempo, os clientes verão as vantagens econômicas, técnicas e de segurança oferecidas pelas células a combustível quando comparadas às outras tecnologias".
Com o intuito de ajudar a preparar recursos humanos para as empresas de células a combustível, a Brasil H2 criou o MKT-H2, um programa de marketing que trabalha profissionais de vendas, manutenção e assistência técnica para conhecerem o mercado de células a combustível e segurança do hidrogênio.
"Além de treinarmos os profissionais das empresas que oferecem as células a combustível, realizamos um treinamento educacional com os seus potenciais clientes, incluindo demonstrações e contato direto com a tecnologia", explica William.
Mais informações sobre a tecnologia de células a combustível e treinamentos podem ser encontrados no Portal H2 www.portalh2.com.br e no website institucional da Brasil H2 Fuel Cell Energy, www.brasilh2.com.br/brasil-h2/cursos.htm fonte: Portal H2 |