 Lactec vai testar biogás de esgoto em células a combustível. 13 de fevereiro de 2008O Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) vai iniciar, ainda este mês, testes sobre o uso de resíduos de estações de tratamento de esgoto na produção de eletricidade. O estudo, uma parceria com a Assessoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Sanepar, pretende demonstrar que é possível gerar energia a partir do biogás produzido no processo de tratamento de esgoto, para suprir a demanda energética de unidades da companhia de saneamento. O ciclo auto-sustentável é inédito no Brasil e poderá representar economia com os gastos da Sanepar com energia elétrica.
O convênio, assinado pelo diretor-superintendente do Lactec, Aldair Rizzi, e a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa, prevê recursos de R$ 12 mil para pagamento dos ensaios preliminares. Aldair explica que os primeiros ensaios serão o embrião do projeto que poderá mostrar inovações para o uso de energias alternativas e renováveis.
"Essa é mais uma das parcerias que buscamos pela integração do Lactec às políticas públicas de interesse imediato da população. É uma orientação Governo do Estado que está trazendo excelentes resultados para todos os envolvidos", explica Rizzi.
POTENCIAL - O Lactec vai analisar o potencial energético do gás que é produzido nas usinas da Sanepar e a viabilidade econômica do uso desse gás em células a combustível. Uma célula a combustível, gerador de energia de alta tecnologia, cedida pela Copel e já utilizada pelo Lactec para testes encomendados pela empresa pública de energia, vai servir de base para a pesquisa.
O instituto mantém três desses equipamentos em funcionamento no Paraná. Um está no centro de processamento de dados da Copel, outro no próprio Lactec, no Centro Politécnico da UFPR, em Curitiba, e o terceiro atende cerca de 80% do consumo de energia térmica (água quente) do Hospital Erasto Gaertner, também na capital.
A expectativa de reutilização do biogás é a esperança da criação de mais um instrumento de auto-sustentabilidade. O uso dos resíduos, além de evitar a queima do gás - como é feito hoje com as sobras de material orgânico - pode inserir a companhia paranaense de saneamento na tendência mundial de reciclagem dos recursos disponíveis. Segundo o pesquisador do Lactec, Maurício Cantão, a Alemanha, os Estados Unidos e o Reino Unido já utilizam o biogás, composto de metano e gás carbônico, em células a combustível. "A perspectiva de uso desse recurso é muito boa", diz.
OTIMISMO - Cantão explica que as células a combustível em operação no Paraná são alimentadas com gás natural, mas essa energia não é competitiva com a eletricidade da rede. Os testes pretendem demonstrar que a conversão do biogás em eletricidade é mais barata ainda que a compra de energia elétrica, modalidade utilizada atualmente pela companhia.
De acordo com o gerente de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da Sanepar, Cleverson Andreoli, o otimismo em relação à nova tecnologia é fruto da grande disponibilidade de matéria-prima para a produção da fonte alternativa de energia. "Existe um enorme potencial de utilização desse material. A Sanepar tem mais de 200 unidades de tratamento de esgoto". Cleverson explica que, provados os custos relativamente mais baixos do biogás, a companhia pode adquirir células a combustível para substituir a compra de energia elétrica.
O gerente da Sanepar relata ainda um aspecto importante da tecnologia que vai ser desenvolvida: a redução dos níveis tóxicos emitidos para a atmosfera pela produção de gás metano. "A decomposição anaeróbica dos resíduos sólidos nas usinas de tratamento gera 20% mais efeito estufa que a queima de gás carbono". Segundo ele a conversão do material em energia diminui os níveis ainda mais. fonte: Lactec |