 Hidrogênio, a energia do futuro no Brasil. 1 de novembro de 2007Na tentativa de acompanhar a iniciativa mundial, o Brasil tem um programa para a estruturação da economia do hidrogênio que prevê a inserção do elemento na matriz energética até 2025, tanto para a produção de eletricidade, quanto combustível. O Roteiro de Estruturação da Economia do Hidrogênio no Brasil estabelece o início da comercialização do hidrogênio obtido do gás natural a partir de 2010, em função do estágio mais evoluído da tecnologia, tanto no Brasil como no exterior. A prioridade brasileira, no entanto, é produzir hidrogênio a partir da reforma do etanol e o objetivo é disponibilizar o insumo para suprimento elétrico em 2015 e como combustível em 2020.
O roteiro elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) encontra-se em sua penúltima fase. De acordo com o cronograma, o ano de 2007 será o de "preparação para o lançamento do Programa Governamental de Produção e Uso do Hidrogênio no Brasil" e, seguidamente, o programa entra na fase de "implantação das Ações para a Efetivação da Economia do Hidrogênio no Brasil", que está planejada para correr de 2007 a 2025.
As fases anteriores foram de elaboração dos projetos de execução e decorreram de um grupo de estudos formado por representantes do governo, universidades, empresas nacionais e internacionais para estudarem as condições para a implantação do novo paradigma energético no país, considerando as tecnologias de produção, armazenamento, transporte e comercialização do hidrogênio para diversos usos.
O programa de hidrogênio integra o Plano Nacional de Energia 2030, que deverá ser lançado oficialmente no dia 15 de dezembro, conforme informou o Ministério das Minas e Energia.
P& D: poucos investimentos
Apesar da existência de um programa específico para o desenvolvimento da economia do hidrogênio no país, o professor do Ceneh (Centro de Excelência de Energia do Hidrogênio, da Universidade de Campinas, Ennio Peres da Silva), considera que os recursos para a pesquisa ainda são poucos. Silva informa que o investimento atual no Brasil é de cerca de R$ 1 milhão por ano, o que corresponde a cerca de 0,1% do que é investido no mundo em pesquisas de hidrogênio.
Em comparação, ele informa que os Estados Unidos investem US$ 1 bilhão por ano em um programa para desenvolver carros a célula combustível. "O programa começou em 1995 e os carros já estão prontos. O problema é o custo dos veículos, do combustível e a adaptação da rede de postos", afirma. Na Europa, o interesse está mais voltado para o transporte coletivo, assim como no Brasil, onde as prioridades determinadas pelo Roteiro para uso veicular do hidrogênio são para veículos pesados de transporte urbano coletivo e de carga. Considerando todas as possibilidades de uso, as prioridades brasileiras são a geração distribuída e comunidades isoladas.
O relatório do governo reconhece uma série de dificuldades para a implantação do novo paradigma energético como: a defasagem tecnológica; falta de recursos humanos qualificados; inexistência de capacidade industrial para produção de equipamentos; ausência de empresas de serviços; ausência de infra-estrutura para distribuição de hidrogênio; e inexistência de normas de segurança específicas. fonte: Daniela Lessa, Gasnet |